O Memorial da Vila de Itaitu: Uma introdução

 No coração da Vila de Itaitu, no Piemonte da Chapada Diamantina, nasce um espaço dedicado à memória, à cultura e aos encontros que atravessam gerações: o Memorial da Vila Itaitu. Instalado no histórico Casarão da Vila — restaurado com cuidado e respeito à sua arquitetura original — o Memorial celebra as histórias, os saberes e os modos de vida que formam a identidade da comunidade. Mais do que um espaço de preservação, é um lugar vivo, onde passado e presente caminham juntos. A primeira exposição convida moradores e visitantes a olhar para Itaitu para além de suas belas paisagens. Aqui, a história foi moldada pelas pedras, pelas águas, pelas festas, pelo trabalho coletivo e pela relação profunda entre as pessoas e a natureza. O Memorial também dedica um espaço especial à riqueza ambiental do território, valorizando as cachoeiras, a fauna, a flora e a importância do cuidado coletivo com a terra e com as águas que sustentam a vida na região. Criado a partir das memórias e histórias da comunidade, o Memorial da Vila reafirma a importância de manter vivas as tradições, fortalecer os vínculos culturais e inspirar novas gerações a reconhecer e celebrar suas raízes.

“Memória não é só o que a gente lembra — é o que a gente decide não esquecer.”

O processo de construção envolveu pesquisa histórica, coleta de depoimentos orais, catalogação de fotografias e documentos, além da participação ativa de moradores que cederam materiais de seus acervos pessoais.

Por que ele foi criado

“Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só mas sonho que se sonha junto é realidade”

 Raul Seixas

 E assim nosso sonho virou realidade, quando abrimos as portas do Casarão da Vila: um espaço de poder e resistência feminina. Idealizado e construído por mulheres que acreditaram que seria possível escrever uma nova página em suas vidas, com dignidade, autonomia e independência. Onde a justiça e igualdade não fossem apenas um sonho que se sonha só. E foi em busca do sonho coletivo que nós plantamos a primeira semente, com a aquisição, em 2023, deste casarão secular de arquitetura colonial. O espaço foi totalmente reformado, respeitando e preservando seu patrimônio arquitetônico. O Casarão da Vila surge como espaço vibrante de Memória, Cultura e Arte. Surge acreditando que valorizar a memória é um povo afirmar a sua identidade. Um ato de resistência cultural. Para Abdias do Nascimento, a memória é vista não apenas como registro do passado, mas como instrumento ativo de resistência cultural, construção de consciência e poder. É nisso que acreditamos. E assim nasce o Memorial da Vila. Com o propósito de olhar para o passado, valorizar o que fomos, a nossa memória, os saberes da nossa gente, para escrever uma história e construir um novo futuro. “

Liani Sena

Quem idealizou

O projeto foi idealizado por Liani Sena um grupo de moradores, pesquisadores e parceiros institucionais comprometidos com a valorização do patrimônio cultural de Itaitu. A curadoria ficou a cargo de Rose Lima, que conduziu a seleção de fotografias e a pesquisa dos textos fundantes: histórico e geoambiental .

Importância para o Piemonte da Diamantina

Nessa primeira Exposição nasce de uma pergunta essencial:

como contar a história de um território?

 Itaitu não é apenas paisagem. Não é apenas vila.

 Não é apenas destino turístico.

 É um território ancestral, moldado pela pedra, pela água e pela presença humana. Ao longo dos séculos, Riachão de Jacobina — depois Serra Azul — tornou-se Vila de Itaitu. Entre engenhos, feiras, festas religiosas, epidemias, mutirões e celebrações, consolidou-se uma identidade marcada pelo sincretismo, pelo trabalho coletivo e pelo vínculo profundo com a terra.

 Hoje, Itaitu vive um novo ciclo: o turismo, a valorização ambiental e os desafios da preservação. A mesma natureza que atrai visitantes exige cuidado. A memória que sustenta pertencimento exige reconhecimento. Esta exposição propõe olhar Itaitu como um território vivo — onde biodiversidade, história e cultura são inseparáveis. Um território que não pode ser reduzido à paisagem, porque é também feito de luta, de organização comunitária e de protagonismo local.

É nesse contexto que se destaca a atuação da AMUVA — Associação de Mulheres do Vale das Arapongas. Formada por mulheres de Itaitu e comunidades do entorno, a AMUVA é expressão concreta de resistência e construção de futuro. A presença da AMUVA nesta exposição não é complementar — é central. Porque falar sobre Itaitu hoje é reconhecer quem sustenta sua memória e projeta seus próximos passos. Esta mostra não é apenas um registro do passado.

 Afirma que preservar é um ato político.

 Que memória é direito coletivo. Que território não é mercadoria, mas pertencimento.

  Ao atravessar esta exposição, convidamos você a perceber as camadas de Itaitu — da formação da Terra às formas contemporâneas de organização comunitária. Porque o futuro de Itaitu não depende apenas do tempo. Depende das escolhas que fazemos agora.

 As serras da Jacobina guardam bilhões de anos de história geológica. Das rochas brotam nascentes que sustentam rios, ecossistemas e modos de vida. Esse patrimônio natural, no entanto, nunca existiu isolado: ele sempre esteve atravessado por relações de disputa, trabalho, fé e resistência. Muito antes da colonização, povos indígenas como Payayás, Sapoiás, Maracás, Topins e Anaiós habitavam essas terras, conhecendo seus ciclos e preservando seus caminhos. Com a expansão colonial vieram o garimpo, o desmatamento, a violência e a imposição de novas ordens sociais. Vieram também africanos escravizados, que trouxeram saberes agrícolas, espirituais e medicinais fundamentais para a formação cultural da região.

  O que foi chamado de progresso também foi perda. O que foi chamado de conquista também foi resistência. As cachoeiras de Itaitu são território vivo — nascentes que sustentam rios, biodiversidade, modos de vida e memória coletiva. Mas a beleza que encanta também é frágil. Turismo sem cuidado, resíduos, degradação e mudanças climáticas ameaçam esse equilíbrio. Preservar não é apenas um gesto individual: é um compromisso com a comunidade, com a natureza e com o futuro.

Cuidar é um ato político.

Ficha técnica de projeto :

Ficha Técnica: Idealização: Liani Sena. Curadoria: Rose Lima. Produção Executiva: Andrea Duarte. Projeto Expográfico: Rose Lima e Fritz Zehnle Jr. Assistência ao Projeto Expográfico: Suellen Santana. Pesquisa Histórica: Valter de Oliveira. Assistência de Pesquisa Histórica: Verusa Pinho de Sá. Pesquisa Ambiental: Adonai Zanoni. Pesquisa Iconográfica: Jorge Itaitu.

Montagem Expográfica:

Direção de Produção Rose Lima
Produção geral: Andrea Duarte e Jorge Itaitu
Coordenação de montagem: Lucas Lopes
Tecnologia e Interatividade: Silvio Jonas e Jorge Vaz
Textos / Legendas – Maria Carol
Comunicação e Design – Lado B / Belmiro Neto e Patrícia Simplício
Marca – Levi Santana

Equipe técnica da cenografia:

Di Reis, Uilson Reis Eudes Silva Sntana, Alex Mario, Jorge Barreto, Carlos André Matos
Tecnologia e Interatividade – Silvio Jonas e Jorge Vaz
Murais – Lucas Piauhy
Pássaros – Jorlando Barbosa Móveis – Nativo Silva

Textos Fundantes

DOWNLOAD ABAIXO:

PDF TEXTO FUNDANTE HISTÓRICO

PDF TEXTO FUNDANTE GEOAMBIENTAL

A pesquisa que fundamenta o Memorial da Vila Itaitu

Os Textos Fundantes do Memorial da Vila Itaitu é o resultado de uma pesquisa aprofundada sobre a história, o ambiente natural e as transformações socioculturais da comunidade. Ele reúne informações sobre a origem da vila, suas personagens históricas, tradições, festas religiosas, relação com o território e o papel da comunidade na preservação da sua identidade.

Resumo

Os documentos abordam desde a formação geográfica e histórica da região até os dias atuais, passando pela construção da Capela Nossa Senhora do Loreto, os engenhos de rapadura, as festas tradicionais como o caruru e a importância dos rios e da terra para a subsistência da comunidade.

Destaques do Texto

“A Vila de Itaitu não é apenas um lugar no mapa — é um território de memórias que se entrelaçam com a paisagem, os rios e as gentes que aqui viveram.”

“Cada fotografia, cada depoimento, cada objeto guardado nas casas dos moradores é um fragmento de uma história maior que agora encontra seu lugar de pertencimento.”

“O memorial é um compromisso com o futuro: lembrar para não esquecer, preservar para legar às próximas gerações.”

Créditos da pesquisa: Texto Fundante — Histórico e Geoambiental do Memorial da Vila Itaitu 2026.

Pesquisa Histórica: Valter de Oliveira. Assistência de Pesquisa Histórica: Verusa Pinho de Sá. Pesquisa Ambiental: Adonai Zanoni


Curadoria: Rose Lima